Depois de começar a campanha sem praticamente nenhum apoio partidário e sob a desconfiança do mundo político, o deputado Jair Bolsonaro , candidato do PSL à Presidência nas eleições 2018, chega à reta final do segundo turno projetando construir uma ampla base parlamentar, na hipótese de ser o eleito no domingo. Em nome da governabilidade, o capitão reformado tenta agora enquadrar a base do PSL, que conta com 52 deputados eleitos, enquanto faz acenos ao Centrão, que perdeu força, mas segue sendo um bloco com poder de fogo na Câmara. Com 142 deputados eleitos – 22 a menos que na legislatura anterior –, o grupo integrado por DEM, PP, PR, Solidariedade, PRB, PSC e PTB quer manter o controle de postos-chave da Casa, entre eles a presidência.
A campanha do ex-governador Geraldo Alckmin, presidenciável do PSDB nas eleições 2018, tenta evitar uma debandada de aliados e quer reforçar a visibilidade do tucano em São Paulo nas três semanas que restam antes do primeiro turno. Ainda sem contar com o engajamento dos partidos do Centrão, Alckmin pretende investir no próprio quintal para evitar o triunfo do voto casado no candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) e no nome tucano para o Palácio dos Bandeirantes, João Doria. A ideia é impedir a consolidação do chamado voto “bolsodoria” no maior colégio eleitoral do País. Apesar de ter o maior tempo no horário eleitoral no rádio e na TV, Alckmin continua estagnado nas pesquisas. Oficialmente, integrantes do bloco formado por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade pedem mudanças no tom da campanha, mas, nos bastidores, já procuram candidatos que consideram mais viáveis para o segundo turno.

Depois da mais recente rodada de negociações, o DEM e seus aliados —PP, PR, Solidariedade e PRB— ficaram mais próximos de Geraldo Alckmin do que de Ciro Gomes. Mas o apoio ao tucano não será automático.

A disposição de Ciro de rediscutir métodos e programas trincou o autoproclamado centro político. Para arrastar o tempo de propaganda do bloco, Alckmin terá de molhar a camisa. O primeiro desafio é se recompor em São Paulo, onde perdeu terreno para Jair Bolsonaro e Marina Silva.

A decisão do blocão pode sair mais cedo do que se imagina, antes do término da Copa do Mundo, marcado para 15 de julho. É grande o esforço dos ex-aliados de Michel Temer para permanecer juntos. Mas não está descartada a hipótese de uma cisão.

Se o grupo optar majoritariamente por Alckmin, o senador piauiense Ciro Nogueira pode levar o seu PP para a coligação de Ciro Gomes. Por outro lado, se a maioria pender para Ciro, o PR de Valdemar Costa Neto e o PRB da Igreja Universal cogitam permanecer com Alckmin.

Via JOSIAS DE SOUZA

A união de PP, DEM, PRB e Solidariedade não mira só as eleições de 2018. O grupo, que ainda trabalha para atrair PTB e PR, quer se estabelecer como bloco partidário indispensável à governabilidade de qualquer que seja o presidente eleito. Somadas, as seis siglas chegam hoje a 181 deputados. A adesão daria a eles peso para desequilibrar a corrida deste ano —e também para se proteger: se escolherem o candidato errado, terão um tamanho que assegura assento na mesa de negociação do vencedor.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é pré-candidato ao Planalto e está à frente das negociações, mas sabe que o ponto central do acordo com as demais siglas é só definir o herdeiro do apoio do grupo entre junho e julho. Como publicado no sábado (11), ele é um dos escalados para falar com PTB e PR.

Neste momento, PP e SD usam o que chamam de “pré-apoio” a Maia como rede de proteção à ofensiva de nomes como Geraldo Alckmin (PSDB) e o presidente Michel Temer (MDB), que tenta se posicionar como árbitro da própria sucessão.

Até a definição, Maia tem carta branca para rodar o país e divulgar suas ideias. Nesse cenário, dirigentes da Força Sindical sugeriram que o deputado encampe projeto que aumenta de cinco para sete o número parcelas do seguro-desemprego.

Daniela Lima – Folha de S.Paulo

Alvo da maior cobiça entre os partidos que integram o Centrão, o Ministério das Cidades será loteado entre as legendas. Foi a forma encontrada pelo presidente Michel Temer  para agradar os aliados e diminuir a resistência à reforma da Previdência. A decisão de dividir a pasta para atender às várias legendas já havia sido tomada antes mesmo do agora ex-ministro Bruno Araújo (PSDB) entregar a carta de demissão.

A ideia é encontrar um nome de consenso entre os partidos do Centrão para comandar a pasta e fazer a distribuição dos principais cargos contemplando PP, PR, PTB, PSD, além dos partidos menores. “Bruno concentrou toda a estrutura das Cidades para atender o PSDB. Havia uma rebelião no Centrão contra as ações de Bruno nas Cidades”, disse ao Blog um auxiliar direto do presidente Michel Temer.

Tanto é assim que na semana passada Bruno Araújo foi convocado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara para explicar eventual direcionamento de ações da pasta, como o Minha Casa Minha Vida, para atender redutos eleitorais de tucanos. O pedido de convocação foi apresentado pelo deputado do PMDB Hugo Motta, mas foi aprovado com o respaldo dos partidos do Centrão.

O presidente Michel Temer deve tirar a reforma ministerial do papel nas próximas semanas. A informação é confirmada por fontes no Palácio do Planalto e por parlamentares do chamado Centrão – o grupo pressiona para ganhar mais espaço no governo. Temer já comunicou alguns de seus interlocutores no Congresso sobre a intenção de redesenhar a distribuição de cargos de primeiro escalão nos próximos 15 dias. Com as mudanças, o PSDB deve perder dois dos seus quatro ministérios, enquanto PMDB e PP podem ganhar mais espaço.

A antecipação da reforma foi revelada ontem pela Folha de S.Paulo. O Estado apurou que a ideia inicial do presidente é reduzir o tamanho do PSDB no governo pela metade. Dos quatro ministérios que detêm atualmente – Governo, Cidades, Relações Exteriores e Direitos Humanos –, os tucanos continuariam com dois. Sob forte pressão do PTB e do PP, Temer deve tirar Bruno Araújo (PE) do Ministério das Cidades e Luislinda Valois (BA) dos Direitos Humanos.

 Antonio Imbassahy (BA) tende a perder a Secretaria de Governo, mas, como se tornou uma figura próxima do presidente, pode ser deslocado para outra pasta. O tucano é alvo de críticas de parlamentares e está desgastado na função por não atender aos pleitos da base. Já Aloysio Nunes Ferreira (SP) deve continuar à frente do Itamaraty.

19
maio

Eduardo Cunha cobra a fatura

Postado às 11:00 Hs

Por Ilimar Franco  / O Globo

Afastado pelo STF da presidência da Câmara, Eduardo Cunha faz intensa pressão sobre o Planalto. Ele quer que o presidente interino, Michel Temer, garanta as nomeações que negociou para que fosse aprovado o impeachment na Câmara. Esses cargos foram prometidos aos parlamentares do chamado Centrão (PP, PR, PSD, PTB, PRB, PSC e PTN), que também sofreram o assédio de Lula. O presidente interino Michel Temer escolheu um deputado que representa a maioria para a liderança do governo na Câmara. Ex-líder do PSC André Moura conta com o apoio daqueles partidos que são chamados de Centrão. Eles formam uma bancada de cerca de 270 parlamentares.

Essas legendas foram decisivas na aprovação do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. E também foram fundamentais para eleger o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB) para a presidência da Câmara. Cunha recebeu 267 votos naquela eleição. O Centrão é formado pelo PP, PR, PSD, PTB, PSC, SD, PRB, PTN, PROS, PHS, PTdoB, PSL, PMB, PRP e PEN. A estes se soma a maioria da bancada do PMDB.

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