Mônica Bergamo – Folha de S.Paulo

A ex-presidente Dilma Rousseff deve ser um dos alvos preferenciais dos depoimentos ainda inéditos da delação premiada de

Até agora, o foco dos relatos do ex-ministro da Fazenda estava voltado para Lula.

De acordo com pessoas familiarizadas com as negociações entre Palocci e a Justiça, dados novos devem aumentar o cerco a Dilma, já tornada ré em uma ação que corre em Brasília.

As informações que circulam entre investigadores e advogados preocupam integrantes do PT que acompanham o assunto de perto. Há o temor de que ela seja alvo de alguma medida cautelar mais drástica.

Na quarta (28), o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) deve decidir se autoriza ou não Palocci a cumprir o restante de sua pena em casa, em regime semiaberto e sob monitoramento.

Por Josias de Souza

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, complicou a rotina de Dilma Rousseff . Ao enviá-la para o banco dos réus junto com os companheiros Lula, Palocci, Mantega e Vaccari, o magistrado obrigou a ex-gerentona a ajustar sua coreografia. A pose de flor do lodo perdeu o prazo de validade.

Arma-se sobre o penteado de Dilma uma tempestade semelhante à que dispara trovões e raios que o partam na direção do seu mentor e padrinho político. Como o eleitor mineiro sonegou a Dilma um mandato de senadora, ela também será moída na primeira instância do Judiciário.

Tomado pelo peso da pena, o doutor Vallisney segue o padrão Moro de suavidade. É por sua determinação, por exemplo, que Geddel Vieira Lima expia os pecados na penitenciária brasiliense da Papuda. Hóspedes da carceragem de Curitiba, Lula Palocci e Vaccari sabem o que isso significa. Dilma, ainda não.

Diferentemente de Lula, já condenado e ainda enroscado em meia dúzia de processos, Dilma desce ao moedor do Judiciário pela primeira vez. Estreia em grande estilo, num caso que ficou conhecido com “quadrilhão do PT”. Nele, os réus são acusados de desvios de R$ 1,485 bilhão.

Nos próximos dias, Dilma deve se integrar à cenografia de Lula, trocando a pose de flor inocente pela de perseguida política.

O advogado Hélio Bicudo, fundador do PT (Partido dos Trabalhadores) e um dos autores do pedido de impeachment contra Dilma Rousseff, morreu nesta terça-feira (31), aos 96 anos.  A saúde do advogado era frágil desde 2010, quando sofreu um AVC. Debilitou-se ainda mais em março deste ano, quando morreu sua mulher, Déa Pereira Wilken Bicudo, após 71 anos de casamento. Ele deixa sete filhos, netos e bisnetos.

Ativista dos direitos humanos, Bicudo ganhou notoriedade nacional ao condenar integrantes do Esquadrão da Morte, organização paramilitar dos anos 1970.

DEPUTADO FEDERAL – Na vida política, o advogado também foi deputado federal de São Paulo por dois mandatos consecutivos, de 1991 a 1999 e vice-prefeito de São Paulo, na gestão de Marta Suplicy (então PT).

Hélio Pereira Bicudo nasceu em Mogi das Cruzes (SP) no dia 5 de julho de 1922, filho de Galdino Hibernon Pereira Bicudo e de Ana Rosa Pereira Bicudo. Ele ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo em 1942, mesmo ano em que começou a trabalhar em um escritório de advocacia. Quatro anos depois, formou-se bacharel em ciências jurídicas e sociais.

NA CASA CIVIL – Após ocupar o cargo de promotor e procurador da Justiça, foi nomeado em 1959 chefe da Casa Civil do Governo do Estado de São Paulo, na gestão de Carvalho Pinto (1959-1963). Em 1963, quando chefiava o gabinete de Carvalho Pinto, Bicudo se tornou ministro da Fazenda do governo de João Goulart de maneira interina.

Seis anos depois iniciou a investigação de atividades criminosas cometidas por policiais, em um de seus trabalhos mais notórios.

Em 1980, Bicudo ingressou no PT, tornando-se o primeiro-vice-presidente da seção paulista da agremiação. Em 1990, foi eleito deputado federal pelo partido com 100 mil votos, tendo sido reeleito quatro anos depois. Em 1996, o advogado se tornou presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Ele se tornou referência na luta contra a pena de morte no Brasil.

Folha de São Paulo

Eduardo Cunha sabe que perdeu o bonde da delação premiada. Sempre soube que era uma negociação difícil — nunca teve um pingo de confiança do Ministério Público –, e sua queda e prisão haviam virado um marco no combate à corrupção e à impunidade no país. Mesmo assim alimentava a expectativa de conseguir uma vaguinha nas cadeiras finais de algum vagão. Depois da queda de Dilma Rousseff, em que foi protagonista, imaginou que poderia escapar usando outra carta valorizada em seu baralho viciado. O nome do jogo virou Michel Temer. Mais do que com Dilma,
17
out

Anulação do impeachment

Postado às 12:14 Hs

A defesa da ex-presidente da República Dilma Rousseff vai utilizar a delação do corretor Lúcio Funaro, divulgada na última sexta-feira, para pedir a anulação do processo que resultou em impeachment no ano passado. Em nota, o advogado da petista, José Eduardo Cardozo, afirmou que o depoimento de Funaro mostra que “o ex-deputado Eduardo Cunha comprou votos de parlamentares em favor do impeachment”.

A defesa deve entrar com pedido, hoje. “Entendemos que na defesa da Constituição e do Estado Democrático de direito, o Poder Judiciário não poderá deixar de se pronunciar a respeito, determinando a anulação do impeachment de Dilma Rousseff, por notório desvio de poder e pela ausência de qualquer prova de que tenha praticado crimes de responsabilidade”, diz a nota.

Indignado com a revelação feita por Lúcio Funaro de que o golpe contra a presidente Dilma Rousseff foi comprado por Eduardo Cunha por 1 milhão de reais, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) bateu duro no ex-procurador-geral Rodrigo Janot, que, segundo ele, prevaricou.

“Se Janot conhecia essa delação, por que antes de sair, deu parecer contrário ao pedido de anulação do impeachment se calando e omitindo?”, questiona. Pimenta também destaca a revelação de que Michel Temer recebia propinas dos esquemas do PMDB no FI-FGTS e afirma que sua situação ficou insustentável.

Em depoimento de delação premiada, o operador financeiro Lúcio Funaro afirmou que, em 2016, repassou R$ 1 milhão ao então presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para que o peemedebista pudesse “comprar” votos a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. A declaração está em um dos vídeos dos depoimentos da delação premiada de Funaro, que se tornaram públicos nesta semana depois de aparecerem no site oficial da Câmara dos Deputados.

O operador afirmou que o repasse foi feito a pedido de Cunha, para supostamente garantir que a petista fosse afastada da Presidência durante o processo de impeachment. O pedido, segundo Funaro, foi feito via celular, por um aplicativo que não armazena as mensagens no aparelho.

“Ele me pergunta se eu tinha disponibilidade de dinheiro, que ele pudesse ter algum recurso disponível pra comprar algum voto ali favorável ao impeachment da Dilma. E eu falei que ele podia contar com até R$ 1 milhão e que eu liquidaria isso pra ele em até duas semanas, no máximo”, relatou Funaro. Ao ser questionado por uma procuradora sobre se Cunha teria dito expressamente que o dinheiro seria para comprar votos de deputados, Lúcio Funaro respondeu: “Comprar votos. Exatamente

Fonte: Folha de São Paulo

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou ao Supremo Tribunal Federal os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, os ex-ministros Antonio Palocci Filho, Guido Mantega, Edinho Silva e Paulo Bernardo, a senadora Gleisi Hoffman e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto pelo crime de organização crimonosa. A denúncia, no âmbito da Operação Lava Jato, foi oferecida dentro de inquérito que apura se o PT formou uma organização criminosa para desviar dinheiro da Petrobras. Todos são suspeitos de “promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa, organização criminosa”, cuja pena é de 3 a 8 anos de prisão, além de multa.
Um ano depois do impeachment, a presidente cassada Dilma Rousseff é vista por setores amplos do PT como uma página a ser virada. Embora o discurso oficial seja de martirização de Dilma e a militância apoie a ex-presidente, alas petistas a consideram culpada pela derrocada do partido e uma ameaça para a volta de Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto. Segundo estes setores do partido, a falta de controle de Dilma sobre a Polícia Federal – e não os casos de corrupção envolvendo integrantes da legenda – resultou na Lava Jato, no impeachment e na disseminação do sentimento antipetista.
11
jun

Ficha Limpa deve barrar Dilma em 2018

Postado às 16:50 Hs

Via Blog Diario do Poder

Aliados da ex-presidente Dilma afirmam que ela vai disputar a eleição de 2018, mas é improvável: a Lei Ficha Limpa a torna inelegível, por ter sido condenada em órgão colegiado por crime contra a administração pública. Além disso, segundo afirmaram ministros a esta coluna, “no caso concreto”, uma ação civil pública no Supremo Tribunal Federal será suficiente para impedir o eventual registro da candidatura. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.
Ministros do STF criticaram o Senado por ignorar a Constituição: o impeachment implica em suspensão dos direitos políticos por 8 anos.

A Resolução 35/2016 do Senado não inabilitou Dilma automaticamente, mas cassou o mandato “sem prejuízo das demais sanções judiciais”. A decisão do TSE favorável à chapa pode ajudar a presidente cassada a tentar contornar a Ficha Limpa, judicializando sua candidatura. Crimes contra a administração rendem inelegibilidade, diz o Artigo 1º da Lei das Condições de Inelegibilidade, alterado pela Ficha Limpa.

Em projeto de resolução no qual faz um balanço dos 13 anos de governos petistas, o PT minimiza as denúncias de corrupção contra o partido e alguns de seus integrantes e culpa a política econômica adotada no início do segundo mandato de Dilma Rousseff pela crise política que levou ao impeachment da então presidente. Segundo o texto, que servirá de base para as conclusões do 6.º Congresso Nacional do PT, as medidas de austeridade adotadas por Dilma no início de 2015 criaram a sensação de um “estelionato eleitoral” em comparação com o discurso de campanha do ano anterior, quando a petista prometeu não mexer em direitos trabalhistas “nem que a vaca tussa”.”O ajuste fiscal, além de intensificar a tendência recessiva, gerou confusão e desânimo na base social petista: entre trabalhadores, juventude e intelectualidade progressista disseminou-se a sensação, estimulada pelos monopólios de comunicação, de estelionato eleitoral”, diz o texto ainda sujeito a emendas e alterações até sábado, 3, quando termina o encontro.
Há um ano, quando a rua gritava “Fora, Dilma”, sabia-se que para o seu lugar iria o vice-presidente, Michel Temer. Ele apresentou-se ao país propondo um governo de união nacional e tornou-se um campeão de impopularidade. Prometeu um ministério de notáveis, cercou-se de suspeitos e perdeu dois ministros (Romero Jucá e Geddel Vieira Lima) por flagrantes malfeitorias. Pode-se não gostar de Temer, mas o doutor chegou à cadeira pelas regras do livrinho. Agora grita-se “Fora, Temer”, mas não se pode saber quem irá para o lugar. Pela Constituição, o novo doutor seria eleito indiretamente pelos senadores e deputados. Basta que se ouçam as conversas de Temer, Aécio Neves (presidente do PSDB) e Romero Jucá (presidente do PMDB), grampeadas por Joesley Batista e Sérgio Machado, para ver que, sem a influência da opinião pública, daquele mato não sai coisa boa. Por isso é útil que se exponham logo nomes de doutores e doutoras que poderiam substituí-lo. Todos dirão que não querem, mas, olhando-se para trás, só houve um caso de cidadão que chegou ao poder sem ter pedido apoio a quem quer que seja. Foi o general Emilio Garrastazu Médici, em 1969. Ele chegou a afrontar o sacro colégio de generais, abandonando a sala do consistório, mas essa é outra história. Todos queriam, cabalando com maior ou menor intensidade. Estão frescas na memória nacional as maquinações de Temer para desalojar Dilma Rousseff.
Lendo-se com atenção a matéria de Aguirre Talento, revista Época que está nas bancas, chega-se à conclusão que provavelmente confiar de modo absoluto no marketing político e nos marqueteiros João Santana e Mônica Moura foi o maior erro cometido pelos ex-presidentes Lula e Dilma, erro que vai lhes dar muito trabalho nesta alvorada de delações premiadas. Confiaram demais, atribuíram poderes mágicos ao setor, esqueceram que o exercício do poder é muito mais político do que comercial. A diferença, aliás, entre informação jornalística e publicidade comercial. A publicidade comercial é um axioma; o contrário de seu oposto, o teorema. O axioma rege a publicidade comercial que inunda os jornais e revistas, as emissoras de TV e de rádio. Uma empresa diz que seu produto é o melhor e mais barato e fica por isso mesmo. A comunicação comercial é um fim em si mesma. A informação jornalística reveste-se do conteúdo político indispensável à sua credibilidade. A diferença entre os dois universos pode ser medida com base na necessidade de conteúdo concreto.
Não há nada mais conhecido do submundo dos clandestinos do que esse sistema de se comunicar com outra pessoa por email sem ser rastreado, utilizado por Monica Moura e a então presidente Dilma agora denunciado pela marqueteira. O sistema é denominado de Dead Drop ou, mais frequentemente, Dead Letter Box. Muito utilizado na espionagem internacional, ganhou notoriedade nos anos 1930 com o caso dos Cinco de Cambridge (Cambridge-Five) assim denominados os participantes de uma célula de espiões britânicos a serviço da URSS (Anthony Blunt, Kim Philby, Donald MacLean, Guy Burgess e John Cairncross) durante a chamada Guerra Fria. E popularizou-se através dos livros de espionagem do escritor britânico John Le Carré.Os que trocavam informações secretamente deixavam o documento em algum lugar previamente combinado (uma parede com tijolo solto, um buraco de árvore) para que fosse resgatado. Assim, não se encontravam e poderiam até mesmo não se conhecer. NO RASCUNHO… – Com a revolução tecnológica, chegou-se ao sistema atual, onde uma pessoa cria conta falsa em um provedor gratuito (Yahoo ou Gmail) e compartilha essa conta com sua contraparte. Deixando a mensagem no rascunho, a pessoa que a recebe só precisa saber o nome da conta e a senha.

Por Pedro Dias Leite / O Globo

Um dos argumentos mais poderosos em defesa de Dilma Rousseff durante o processo de impeachment, no ano passado, era o de que se tratava do julgamento de uma pessoa honesta feito por políticos desonestos. Afinal, de um lado estava o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um dos principais articuladores do afastamento e alvo de um processo no Conselho de Ética por ter contas secretas na Suíça, que bancavam hotéis luxuosos, gastos de milhares de euros em lojas de grife, jantares em restaurantes com muitas estrelas Michelin. Hoje, cumpre pena em Curitiba. Do outro lado, Dilma, uma presidente contra quem não pesava, pessoalmente, uma acusação sequer de corrupção.

“Saibam todos que vocês estão julgando uma mulher honesta, uma servidora pública dedicada e uma lutadora de causas justas. Tenho orgulho de ser a primeira mulher eleita presidenta do Brasil. Nestes anos, exerci meu mandato de forma digna e honesta. Honrei os votos que recebi”, dizia a defesa que Dilma enviou ao Senado, em 6 de julho, antes da confirmação de seu afastamento.

TUDO DESMORONA – A delação do marqueteiro João Santana e de sua mulher, Mônica Moura, abala o argumento que sustentava essa narrativa. Por mais que Dilma ainda possa dizer que não colocou dinheiro público no próprio bolso, a questão da honestidade entrou numa zona cinzenta. Afinal, agora ficou claro, a partir da colaboração dos marqueteiros, que ela sabia do esquema ilegal de financiamento que irrigou suas duas campanhas presidenciais, em 2010 e 2014, e que atuou, enquanto estava no Palácio do Planalto, para evitar que fosse descoberto.

Mônica Moura narrou como Dilma lhe sugeriu que transferisse as contas na Suíça onde recebia o pagamento de caixa dois para Cingapura (“ela ouviu falar que era um lugar muito mais seguro, que a Suíça já estava muito visada”), contou como as duas criaram um e-mail em nome de “Iolanda” para que a presidente informasse a marqueteira sobre as investigações da Lava-Jato (“ela falou que era o nome da mulher do presidente Costa e Silva, alguma coisa assim; ela inventou nome, Iolanda, e a gente criou esse e-mail”) e narrou como a então presidente ligou para avisar que o casal seria preso.

HONESTIDADE? – Dilma teve uma trajetória digna até chegar à Presidência da República: participou da luta armada contra a ditadura militar na juventude, foi vítima da barbárie da tortura, e depois seguiu em frente em uma respeitável carreira de burocrata, até ser pinçada por Luiz Inácio Lula da Silva para ser sua candidata.

Não há nenhum indício de que a ex-presidente tenha enriquecido pessoalmente com os esquemas de corrupção. Mas honestidade não é apenas isso, e a nova leva de delações joga uma sombra sobre sua biografia.

A empresária Monica Moura, delatora da operação Lava Jato, entregou ao Ministério Público Federal um registro com as imagens do e-mail que diz ter usado para trocar mensagens com a ex-presidente Dilma Rousseff. As fotografias estão em uma Ata Notarial lavrada em 13 de julho de 2016 no 1º Tabelionato Giovannetti em Curitiba. Monica afirmou em delação premiada que criou “no computador da presidente” uma conta de e-mail com nome e dados fictícios, com senha compartilhada entre as duas e o ex-assessor de Dilma Giles Azevedo. Monica é casada com o publicitário João Santana. O casal de marqueteiros fez as campanhas presidenciais de Lula (2006) e Dilma (2010 e 2014). Eles foram presos na operação Lava Jato e fecharam acordo de delação premiada para se livrar da cadeia. Segundo a delatora, ela e a então presidente combinaram que, se houvesse notícia sobre avanço da Lava Jato em relação ao casal, o aviso seria feito através desse e-mail. As mensagens escritas pela presidente ficariam na caixa de rascunhos do e-mail, para não circularem, e Mônica acessaria a conta de onde estivesse.

Por Eduardo Bresciani / O Globo

A empresária Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, relatou que ela e o marido cobraram diretamente a ex-presidente Dilma Rousseff por atrasos no pagamento de caixa dois relativo à campanha de 2014 e que em sua agenda o ministro Guido Mantega era apelidado de “Latícinio” em um trocadilho com o sobrenome do ministro e a palavra manteiga.

O tema é tratado no anexo 9 da delação da empresária. Ela conta que em junho de 2014 Dilma disse a Santana que não confiaria ao tesoureiro João Vaccari os repasses porque na eleição anterior teria ocorrido desvio em pagamento direcionado ao marketing. “Isso para evitar o que ocorrera na primeira eleição, quando soube que parte do dinheiro destinado para o marketing fora transferido para “um pagamento insólito e inesperado”, diz trecho do anexo. A presidente Dilma teria prometido ainda ao marqueteiro que não ocorreria mais atrasos, como houve no pleito anterior.

MANTEGA CUIDARIA – Segundo o relato, Giles Azevedo, então chefe de gabinete de Dilma, ligou para Mônica informando que o ministro Guido Mantega cuidaria do tema. Depois de diversas reuniões acertou-se o valor de R$ 105 milhões, sendo que R$ 35 milhões seriam pagos por fora, ficando este montante a cargo da Odebrecht. Mônica conta que as reuniões ocorreram na residência oficial do ministro e como prova anexou passagens aéreas e cópias de anotações na sua agenda em que aparecem registros de reuniões com “Latícinio”. No documento, a empresária explica: Reunião com “Laticínio”, relativo a Guido Mantega.

Ela conta que negociou com dois executivos da Odebrecht o pagamento, mas que como a empreiteira já era alvo da Lava-Jato o casal recebeu apenas R$ 10 milhões por fora. Diante dos atrasos no pagamento dos R$ 25 milhões restantes, Mônica diz que ela mesmo cobrou a presidente Dilma durante intervalos de gravações de pronunciamentos no Palácio da Alvorada e que Dilma se dizia disposta a ajudar. O montante, porém, nunca foi pago.

SEM PAGAR  – “Finda a campanha, e como os atrasos permaneciam por mais de dois anos, Mônica Moura aproveitou algumas circunstâncias para tratar diretamente do assunto com a presidente Dilma Rousseff. Isso se deu em conversas particulares entre as duas, nos intervalos de gravações de pronunciamentos oficiais que João Santana dirigia, no Palácio da Alvorada.

A presidente sempre se dizia disposta a ajudar e, desde o início, tinha pleno conhecimento de que a Odebrecht ficara responsável pelo pagamento, não oficial, de R$ 35.000.000,00 (trinta e cinco milhões de reais)”, afirma Mônica.

m depoimento prestado nesta segunda-feira, o marqueteiro João Santana e sua mulher, a empresária Mônica Moura, disseram que a ex-presidente Dilma Rousseff tinha conhecimento de caixa dois na campanha de 2014. Mônica Moura contou que, pelo teor das conversas que teve com a ex-presidente, Dilma sabia da existência de recursos não contabilizados. Santana foi mais taxativo que a mulher ao dizer que Dilma tinha sim conhecimento de caixa dois. Ele fez as três últimas campanhas presidenciais do PT: 2006, vencida por Lula, e 2010 e 2014, quando Dilma ganhou.

João Santana disse também que, em conversa com Dilma após a eleição, ela perguntou se a conta Shellbill, usada pelo marqueteiro para receber recursos no exterior, era segura, blindada contra investigações. Os depoimentos fazem parte da ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode levar à cassação da chapa vencedora da eleição presidencial de 2014. Como Dilma sofreu o processo de impeachment no ano passado, a ação poderá, na prática, fazer com que o atual presidente, Michel Temer, que era vice de Dilma, perca o mandato.

 TEMER SEM VOTOS – O marqueteiro contou ainda que fez uma pesquisa qualitativa com grupos de eleitores indicando que Temer não contribuiria tanto para a campanha, por isso sua participação foi reduzida. Nessa pesquisa, havia inclusive pessoas dizendo ter impressão de que Temer era adepto do satanismo.

Os depoimentos estão sob sigilo. Mas, assim como ocorreu com as audiências de executivos da Odebrecht, parte do que foi falado se tornou público, mesmo devendo ainda ser mantido o segredo. Isso levou o ministro Herman Benjamin, relator da ação no TSE, a fazer uma reprimenda durante os depoimentos desta segunda-feira, cobrando o compromisso de que eles ficassem sob sigilo.

O depoimento foi prestado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) da Bahia, com a presença do relator no local. Além de João Santana e Mônica Moura, também foi ouvido André Santana, que trabalhava para o casal. Os três firmaram um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF), já homologado pelo ministro Edson Fachin, relator dos processos da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal.

TERMOS REITERADOS – Em nota, os advogados Juliano Campelo e Rodrigo Castor, que defendem o casal, informaram que “foram reiterados os termos do interrogatório prestados na semana passada ao Juiz Sergio Moro, complementados com as respostas às demais perguntas formuladas”. Mas não divulgaram o teor dos depoimentos, lembrando que eles estão sob sigilo.

Na semana passada, João Santana e Mônica Moura confirmaram ao juiz Sérgio Moro a interlocução do ex-ministro Antonio Palocci para pagamentos de caixa 2 nas campanhas do PT. Mônica disse que negociou com o ex-ministro os valores não contabilizados a serem pagos na reeleição do ex-presidente Lula, em 2006, e na eleição da ex-presidente Dilma Rousseff em 2010. Mônica disse ainda que Palocci pedia que parte dos pagamentos feitos “por fora” fossem realizados pela Odebrecht.

DILMA NEGA… – Em nota, Dilma disse que João Santana e Mônica Moura faltaram com a verdade, “fazendo afirmações desprovidas de qualquer fundamento ou prova”. Segundo a ex-presidente, tudo indica que os dois foram induzidos a delatar fatos inexistentes para ganhar sua liberdade e atenuar as penas em eventuais condenações.

“Dilma Rousseff nunca negociou diretamente quaisquer pagamentos em suas campanhas eleitorais, e sempre determinou expressamente a seus coordenadores de campanha que a legislação eleitoral fosse rigorosamente cumprida respeitada”, diz trecho da nota.

Ela destacou ainda que declarou ao TSE em 2014 gastos de R$ 70 milhões com o casal, sendo “os profissionais de marketing mais bem pagos na história das eleições no Brasil”. Assim, não havia motivo para pagamentos por fora. A ex-presidente criticou ainda o vazamento de trechos dos depoimentos.

24
mar

MARCELO ODEBRECHT DESMORALIZA DILMA E LULA

Postado às 10:47 Hs

Dilma sabia que Odebrecht usava caixa 2 em campanha, diz Marcelo. O ex-presidente da Construtora Odebrecht, Marcelo Odebrecht, disse que a então presidente Dilma Rousseff sabia que a empresa fazia pagamentos via caixa dois para a campanha de reeleição dela. O depoimento de Marcelo ao Tribunal Superior Eleitoral no processo que pede a cassação da chapa Dilma-Temer foi publicado nesta sexta-feira (23) na internet pelo site “O Antagonista’. Marcelo Odebrecht foi ouvido na ação que acusa a chapa Dilma-Temer de abuso de poder político e econômico. Entre as irregularidades apontadas, dinheiro desviado da Petrobras que abasteceu as contas da campanha em 2014. Trechos do depoimento de Marcelo Odebrecht foram publicados no site “O Antagonista”. A TV Globo confirmou a autenticidade dos documentos. O empresário foi perguntado sobre a relação da Odebrecht com a campanha eleitoral que reelegeu Dilma Rousseff.
nov 14
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