Por Bruno Boghossian / Folha

O movimento da Justiça Eleitoral para acelerar a definição de limites à candidatura de Lula aproxima o PT de um beco sem saída. A ameaça de veto à participação do petista na propaganda de TV pode obrigar o partido a encarar a campanha de frente e antecipar o lançamento de Fernando Haddad.

O TSE quer julgar nesta sexta-feira (31) se Lula tem direito a aparecer no horário eleitoral. A procuradora Raquel Dodge argumenta que o ex-presidente está inelegível e, portanto, deve ser impedido de usar um espaço financiado com dinheiro público. Para decidir a questão, a corte pode ser forçada a se debruçar sobre a validade da candidatura em si.

ESTRATÉGIA – O PT sempre previu que o ex-presidente seria barrado. O partido arquitetou um encadeamento de recursos jurídicos para garantir ao menos sobrevida a esse projeto. Os atos finais seriam a estreia de Lula na televisão como candidato e a cena em que ele passaria o bastão a Haddad.

O risco de interdição do palanque eletrônico agora afeta os planos de transição. Se o TSE decidir que Lula não pode aparecer como candidato na TV, os caminhos do PT se estreitam: ou o partido boicota a propaganda, ou admite a candidatura de Haddad.

Nos dois casos, o movimento apressado dos tribunais se tornará peça de marketing para o partido. Os petistas darão ainda mais força ao discurso de que há uma conspiração, armada fora das regras tradicionais, para tirar Lula do jogo.

CASUÍSMO – Há certo exagero nesse ponto. O ideal é que a Justiça defina logo quem pode concorrer para que o eleitor possa tomar sua decisão. De todo modo, o timing dos tribunais continua a transpirar casuísmo.

Embora permaneça escorado na narrativa de perseguição ao ex-presidente, o PT pode ser obrigado a enfrentar as implicações práticas do transplante de cabeças de sua chapa.

A sigla queria esticar a indefinição até 17 de setembro —limite para substituições na urna eletrônica. Caso a troca seja antecipada, Haddad entraria nos holofotes sem a rede de proteção da candidatura de Lula.

O PT homologou, em plenária, a coligação, na majoritária e nas proporcionais, com o PHS e o PCdoB. A indicação, pelo PCdoB para vice da pré-candidata ao Governo, Fátima Bezerra (PT), foi outra definição.

Os nomes para análise do PT são 4: O presidente do partido, Antenor Roberto, Airene Paiva, Gutemberg Dias e Canindé de França. Ao PT caberá a indicação de um nome para o Senado.

Dessa forma a chapa completa terá:

Fátima Bezerra – Governo    / Vice – PCdoB

Zenaide Maia (PHS) – Senado  / PT – 2ª vaga do Senado

O PSB ainda não fechou a coligação para garantir o projeto de reeleição dos deputados federal Rafael Motta e estadual Ricardo Motta. O PT, que o PSB ‘paquerou’, fechou a chapa majoritária numa coligação com PHS e PCdoB, mas não fechou portas para alianças com outros partidos, e é aí que pode caber o PSB.

Pelo menos é o que se escuta quando se questiona dirigentes da legenda. O deputado Rafael Motta, que preside o PSB no Rio Grande do Norte, está tratando do assunto com a executiva nacional.

Por aqui, o vice-governador Fábio Dantas (PSB) tem conversado com o ‘senador de Carlos Eduardo’, deputado Antônio Jácome (Podemos). Por enquanto sem definições.

18
jun

Eleições no RN

Postado às 21:00 Hs

PT de Fátima não quer coligação proporcional com PHS de Zenaide nem com PCdoB.

A senadora Fátima Bezerra (PT), pré-candidata ao Governo do Estado, bem como a deputada federal Zenaide Maia (PHS), pré-candidata ao Senado, passam a ter um problema para administrar.

O PT não aceita se coligar com o PHS, nem com o PCdoB na chapa proporcional. No caso do PCdoB, por exemplo, a aliança proporcional é uma condição para a aliança majoritária, podendo o partido indicar até o vice de Fátima na disputa pelo Executivo Estadual.

E o cenário do PCdoB poderá se transformar no mesmo para o PHS. A relação entre Fátima e Zenaide continua ótima, porém, o problema partidário – se não for resolvido – poderá criar dificuldades em torno da aliança das duas.

Em 2014, quando Fátima disputou o Senado fazendo uma dobradinha com Robinson Faria (PSD) para o Governo, o mesmo problema existiu por parte do PT, gerando várias divergências e ocorrências para a majoritária. Naquela eleição, a coligação proporcional de deputado estadual foi apenas PT / PT DO B / PC DO B. Já o PSD fez coligação com PP / PEN / PRTB / PTC.

Via Heitor Gregório

30
abr

Renato Duque, operador do PT, vai delatar

Postado às 10:19 Hs

Seguindo as pegadas do ex-ministro petista Antonio Palocci, o operador de propinas do PT na Petrobras, Renato Duque, está na bica de fechar com a Lava Jato um acordo de delação premiada. Num entendimento prévio, o ex-diretor da estatal petrolífera já firmou um acordo com procuradores brasileiros e italianos, para delatar crimes investigados em processos que correm na Itália.

Duque está preso desde 14 de novembro de 2014. No princípio fazia pose de durão. Em maio do ano passado, num depoimento a Sergio Moro, revelou-se propenso a delatar. Nesta segunda-feira, o repórter Robson Bonin informou, em notícia veiculada no Globo, que a celebração do acordo está perto de acontecer.

Confirmando-se o acordo, a delação não deve ser banal. No depoimento prestado a Moro, seis meses atrás, Duque dissera que Lula não apenas sabia da roubalheira na Petrobras, como era beneficiário das propinas. Contou detalhes dos encontros secretos que manteve com Lula.

Duque revelou também que Lula, já com a Lava Jato a espreitar-lhe os calcanhares, orientou-o a apagar as digitais que imprimira em contas na Suíça. Contou também que, na conversa, Lula ecoava preocupações da então presidente Dilma Rousseff.

Num instante em que a Segunda Turma do Supremo retira de Moro pedaços das delações da Odebrecht, as confissões de Renato Duque podem ser úteis à força-tarefa de Curitiba. Com ela, deve ficar mais difícil para Lula ostentar o papel de personagem de uma ficção em que imóveis reformados lhe caíam sobre o colo —um sítio em Atibaia, por exemplo.

Fonte: Josias de Souza

Por Igor Gielow /Folha

Com o transe político compreendido entre o voto de Rosa Weber e a descida de Lula do helicóptero na PF de Curitiba se distanciando no tempo e ganhando o tamanho devido, a realidade bate à porta do PT. Se o Supremo Tribunal Federal não der oxigênio ao plano inicial petista de levar à campanha do inelegível Lula ao último recurso, mudando seu entendimento sobre prisões de segunda instância e castrando quimicamente a Lava Jato, o partido precisará fazer escolhas rapidamente.

Solidariedade com pares nunca foi o forte de Lula, como todos os candidatos a estrela do PT desde os anos 1980 sabem bem. O movimento de dar supostos poderes à ré Gleisi Hoffmann neste primeiro momento apenas evidencia isso: ele não quer ninguém politicamente apto tomando decisões.

HADDAD, PRESUMIDO – Pode ser uma forma também de proteger Fernando Haddad, príncipe herdeiro presumido que não dialoga com a “nomenklatura” petista, esta por sua vez num mato sem cachorro com as agruras jurídicas de Jaques Wagner.

A alegação de que a campanha estará na rua com Lula preso, neste cenário, parece só torcida. Logo, passada a celebração da missa negra fornecida pela ingenuidade esperta de Sérgio Moro ao deixar Lula zombar da lei, a família terá de falar sobre a herança.

No cenário atual, frentes únicas são apenas uma tara que remonta a esquerdistas das antigas. A história do campo no país é um longo conto de divisões e traições, e o que se apresenta agora é um estágio em que o PT está vulnerável a ser predado.

OS HERDEIROS – Ciro Gomes e o partido se desprezam. Guilherme Boulos precisa botar a cabeça para fora de seu elemento, acampamentos do MTST e o eixo Vila Madalena-Leblon. O resultado será nulo, mas é preciso começar por algum lugar. Manuela D´Ávila, nem isso. Isso, claro, muda se o STF ou qualquer outro evento jurídico soltarem mais rapidamente o ex-presidente: aí a implosão do PT como sigla majoritária da esquerda tende a ser algo contida quando a inelegibilidade de Lula for decretada. Haverá até lá mais turbulência política, o país sofrerá, mas o petista com sangue nos olhos não dará a mínima. No fim, o impasse será o mesmo.

NO SEGUNDO TURNO – Aqui cabe um parêntese: a propaganda do PT, amplamente reverberada, dá de barato que Lula estaria eleito se concorresse. Falso. Ele estaria no segundo turno, favorito sim para perder (menos, provavelmente, contra Jair Bolsonaro). Apenas pessoas emocionalmente envolvidas, intelectualmente desonestas ou ambas as coisas menosprezam a rejeição antipetista. Durante três décadas, Lula se consolidou como o ouroboros da esquerda brasileira, a serpente que se alimenta do próprio rabo num ciclo infinito. Só que a versão jararaca do bicho apresentou defeito, travando consigo todo um campo do espectro eleitoral.

09
abr

[ Ponto de Vista ] A visita da saúde

Postado às 10:21 Hs

Por Celso Rocha de Barros – Folha de S.Paulo

Pela primeira vez desde o impeachment, a Lava Jato teve uma vitória: Lula foi preso. Seria mais impressionante se a vitória não tivesse sido contra a mesma turma que perdia para a Lava Jato antes do impeachment.

O que o julgamento no STF provou foi a mesma coisa que os últimos anos provaram: o PT, sozinho, não tem poder para resistir à Lava Jato. Nunca teve, nem quando era governo. O PT também quer parar a Lava Jato. Mas quem tem poder para fazer isso não é a esquerda.

Essa foi a jogada de Carmem Lúcia. Diante da ofensiva para reverter a prisão após segunda instância, a presidente do STF amarrou a questão à sorte de Lula.

Contra Lula tem passeata do MBL, tem imprensa, tem juiz, tem abaixo-assinado, tem jejum e orações, tem chefe das Forças Armadas ameaçando golpe de Estado se Lula não for condenado, tem tucano e bolsonarista covarde concordando com o general.

Mas, de agora em diante, não tem mais Lula para amarrar na frente do problema. Carmem Lúcia deu um belo tiro, mas essa arma só tinha uma bala.

Sempre é possível que a opinião pública, entusiasmada com a condenação de Lula, volte a se mobilizar contra a corrupção. Os últimos dois anos sugerem que isso não vai acontecer. Mas posso estar errado, tomara que esteja, vai ser ótimo para o país se estiver.

Repito, já cansado de fazê-lo: no fundamental, não é culpa dos procuradores, dos juízes, da Polícia Federal. O pessoal seguiu denunciando a direita esse tempo todo. Janot fez de tudo para prender Temer. Na sexta-feira prenderam Paulo Preto, que armava os esquemas do PSDB. É difícil entender por que isso demorou tanto, mas vamos dar aqui esse desconto.

O que ainda não aconteceu é uma vitória da Lava Jato que implique perda de poder para a direita e perda de dinheiro para o mercado. Poderia ter acontecido: Cunha poderia ter caído antes do impeachment, Temer poderia ter caído ano passado. Se Temer cair ano que vem, depois de deixar o Planalto, que diferença faz? O exercício da lei terá sido forçado a esperar Temer se tornar irrelevante, como foi forçado a esperar com Cunha.

A esquerda perdeu o mandato presidencial de Dilma e o que Lula ganharia em outubro. A direita ganhou o mandato de Temer e perdeu o quê?

Se você acha que não faz diferença, responda: por que não esperamos Dilma terminar seu mandato para processá-la pelas pedaladas? Por que o processo contra Lula precisa correr para não deixarmos Lula vencer essa eleição, por que não processá-lo daqui a quatro ou oito anos?

É fácil notar que prender Lula daqui a oito anos não seria uma vitória remotamente tão significativa para a Lava Jato do que prendê-lo agora. Mas a turma do “A Lei é para Todos” está desde 2016 tentando nos convencer que prender Cunha, Temer ou Aécio quando se tornarem irrelevantes não fará diferença.

As coisas podem mudar? Talvez. A divisão da direita na eleição pode favorecer a Lava Jato. Novas manifestações podem enfraquecer o grande acordo de Romero Jucá (não, não é do Lula).

Mas minha impressão é que a vitória da Lava Jato contra Lula foi a famosa “visita da saúde”: aquela melhorada que o sujeito dá antes de morrer. Dessa vez vou ficar muito feliz se estiver errado, e espero ter a chance de escrever minha autocrítica aqui nesta coluna. Só não aposto nisso.

18
mar

@ @ É NOTÍCIA … @ @

Postado às 12:55 Hs

  • O Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Norte pretende lançar também um candidato ao Senado Federal, o nome mais cotado para entrar nessa disputa, é o do ex-vereador natalense Hugo Manso, que por sinal já foi candidato a Senador na campanha de 2010.
  • O governador Robinson Faria decretou situação de emergência pela seca por mais 180 dias em 153 municípios do Rio Grande do Norte.O documento leva em consideração análises técnicas das áreas do Governo que monitoram a questão da Segurança Hídrica no RN. Esta é a 10ª vez consecutiva que o governo toma a medida na intenção de facilitar a chegada de recursos federais para obras e serviços importantes para minimizar os efeitos da seca.
  • A deputada federal e candidata a senadora Zenaide Maia já confirmou a sua ida para o PHS e a aliança com o PT na chapa da senadora Fátima Bezerra.
  • Chamou a atenção no evento de filiação do vice-governador Fábio Dantas ao PSB as ausências dos deputados estaduais José Dias (PSDB), Márcia Maia (PSDB) e Raimundo Fernandes (PSDB). As faltas abriram especulações sobre o comprometimento dos tucanos com a eleição de Fábio para governador. O burburinho é grande…
  • O comentário nos bastidores do grupo que sustenta o projeto político do vice-governador Fábio Dantas (PSB) é de que ainda tem vaga na coligação para o senador Garibaldi Filho (MDB). Em relação ao senador José Agripino (DEM), não há a mesma simpatia.Entre os pré-candidatos à sucessão estadual, o vice-governador Fábio Dantas (PSB) é hoje o que reúne o maior agrupamento de forças políticas. Ele deverá contar com a maior coligação das eleições deste ano.
  • A violência contra vereadores, ex-vereadores, prefeitos e ex-prefeitos resultou em pelo menos 40 mortes no Brasil na atual legislatura, segundo registros em reportagens do G1 publicadas entre 2017 e 2018.Dos 40 casos, em dois há características de execução por motivação política: o de Francisco Vicente de Souza, prefeito de Candeias do Jamari (RO), e o de Jucely Alves Arrais, vereadora de Aiuaba (CE).No primeiro, entre os réus condenados está o mandante do crime. O Ministério Público o acusou de planejar a morte do prefeito por ter ficado contrariado com uma decisão administrativa. O mandante, segundo o MP, foi financiador da campanha do prefeito. No de Jucely, o cunhado dela havia sido assassinado meses antes do crime. Dois meses depois do assassinato da vereadora, o marido dela foi morto.
Felizmente para os brasileiros, o PT e o PSDB acabaram. Podem até ganhar eleições porque isso não depende no Brasil de projetos, programas nem de idoneidade dos políticos. Mas são partidos que não existem mais, não têm mais qualquer ligação com o que os constituiu. Podem até mesmo ganhar as eleições de 2018, mas não creio que possam ser refundados. Creio que não devemos lamentar esse fim. Seria pior se estivessem vivos e fortes. O campo democrático vai ter de inventar outra coisa. Tem a oportunidade e o desafio de inventar outra coisa melhor. Talvez nem tenha de ser outro partido.

Quem é o plano B de Lula? Não, o PT não tem plano B, soletram petistas, como os senadores Gleise Hoffmann, presidente do partido, e Lindbergh Farias. “Esqueça essa história de plano B. Nosso plano A, B, C, D, E, F é o Lula”, entoou Lindbergh, durante reunião das bancadas do PT com Lula na semana passada.

Seria mesmo estupidez o PT admitir o contrário. Enquanto o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, não bater o martelo, por mais que se saiba que o julgamento do recurso de Lula, marcado para o dia 24 de janeiro, tem votos marcados, o PT não pode admitir que exista a busca por uma alternativa.

A cúpula petista, ao contrário, tem feito um tremendo esforço para acalmar o partido até o julgamento que pode tornar o ex-presidente inelegível. Depois desta data, porém, por mais recursos que Lula tenha pela frente, as favas eleitorais estarão meio que contadas.

Lula é o primeiro a não querer ser um candidato sub judice, nem agora, muito menos na reta final da campanha, quando poderia ser tarde demais para viabilizar um substituto. Por isso, sim, o PT tem planos B, C, D e E. Só não tem ideia ainda a qual recorrer.

A renovação de dois terços do Senado nas eleições do ano que vem vai atingir em cheio alguns senadores de esquerda, que costumam fazer barulho na Casa e defender os governos de Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva. Dos 16 senadores mais atuantes desse grupo, 12 vão encerrar seus mandatos – sete deles petistas. E o cenário para tentar uma reeleição aponta para dificuldades. Vários devem sair candidatos a deputado federal.

O PT deve ser o partido mais atingido. Já teve 14 senadores, hoje tem nove, e sete deles vão embora. Poucos têm boas chances de reeleição, casos de Jorge Viana (AC) e Humberto Costa (PE). Talvez os petistas mais expostos nas defesas dos legados de Lula e Dilma, os senadores Lindbergh Farias (RJ) e Gleisi Hoffmann (PR) patinam em popularidade e, se decidirem buscar a reeleição, não devem lograr êxito. Ambos foram atingidos por denúncias da Lava Jato e devem tentar vaga na Câmara dos Deputados.

Esse é um projeto de Lula: eleger a maior bancada de deputados federais ano que vem. A orientação é que nomes de ponta e destaque do partido assegurem um mandato na Câmara e não se arrisquem em eleições que não tenham garantia de vitória. A ordem é não trocar o certo pelo duvidoso. De quebra, um mandato eletivo na Câmara ainda assegura o foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal para quem for implicado, por exemplo, na Lava Jato.

Nomes de outras legendas que ganharam destaque como defensores do mandato de Dilma e opositores do governo Temer também vão deixar a Casa e enfrentar novamente as urnas. São os casos de Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). No opositor PMDB, o desfalque será de Roberto Requião (PR), outra incógnita.

Por Catia Seabra / Folha

Dentro da estratégia de blindagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do PT do Rio, Washington Quaquá, divulgou nesta segunda-feira (dia 26), uma nota em que prega “confronto popular aberto nas ruas” caso o petista seja condenado pelo juiz Sergio Moro. “Queremos, a partir do Rio de Janeiro, dizer em alto e bom som: condenar Lula sem provas é acabar de vez com a democracia! Se fizerem isso, se preparem! Não haverá mais respeito a nenhuma instituição e esse será o caminho para o confronto popular aberto nas ruas do Rio e do Brasil!”, afirmou Quaquá.

“Nós queremos repactuar o Brasil em torno da democracia e dos direitos e reformas que melhorem, de fato, a vida do povo, com emprego, desenvolvimento econômico e soberania nacional. Mas quem dirá se será pacto democrático ou luta aberta será a burguesia que deu o golpe!”.

SEM DEMOCRACIA – No texto, o presidente estadual do PT diz ainda que a possibilidade de Lula concorrer é a última trincheira dentro das normas democráticas. E, “caso ultrapassada, não haverá mais compromisso democrático no Brasil”, a exemplo do que já aconteceu com o golpe militar de 1964.

“Vamos nos preparar pra luta da forma como ela vier. O judiciário brasileiro precisa dizer se vai aprofundar o golpe ou vai ajudar a restituir a democracia roubada. A garantia de eleições e do direito do Lula concorrer às eleições limpas (já que está mais do que evidente que não há crime por ele cometido e nenhuma prova produzida, depois de anos de investigação e de pressões e benefícios absurdos concedidos para quem se dispusesse a delatá-lo) é a última trincheira, que caso ultrapassada, não restará mais nenhum compromisso democrático no Brasil”, completa a nota.

O PT, Partido dos Trabalhadores, começa a enxergar que a queda de Michel Temer agora, inevitavelmente levaria o DEM e o PSDB ao centro do poder, com um de seus membros ocupando a presidência da república.

Michel Temer saindo da presidência, a constituição determina a posse de Rodrigo Maia na presidência da república, para convocar eleições dentro de um curto espaço de tempo.

Essas eleições, segundo o que reza a constituição, seriam indiretas, ou seja, feitas pelo Congresso Nacional, onde DEM e PSDB trafegam muito bem, sendo partidos bem articulados e deveriam eleger o sucessor de Michel Temer. Chegaram inclusive a especular nomes como Tasso Jereissati, Alckmin, ou outras figuras de projeção da legenda comprometidas com o grande capital.

Para não ser dessa forma, teriam de ser realizadas eleições diretas, que é a tese defendida pelo PT. Essa possibilidade torna-se inviável pois teria de ser mudada a constituição, fato considerado impossível.

Agência de Notícias

Para o prefeito João Doria, a “hora de atacar” não chegou para o PSDB. O inimigo, segundo ele, é antigo. “É preciso ter a compreensão do momento certo de atacar e saber quem é o inimigo. O nosso inimigo é o PT, o inimigo do Brasil.” A declaração foi dada em reunião no Diretório Estadual do PSDB na noite desta segunda-feira (5), para tratar o eventual desembarque do governo de Michel Temer (PMDB), cujo julgamento da chapa presidencial que fez parte em 2014 começa nesta terça (6) no Tribunal Superior Eleitoral. Doria afirmou que não cabe tomar decisões neste momento. “Temos amanhã um julgamento e precisamos confiar na Justiça.” “O fácil para o prefeito de São Paulo era não vir. Para que vou me expor? Mas esse não é o João Doria, o João Doria é guerreiro”, continuou. “Muitas vezes, pelas boas causas, a precipitação pode levar a fragilização de um guerreiro. Pode condenar um exército vitorioso à derrota.”
PT elegeu neste sábado (3) a senadora Gleisi Hoffmann (PR) como nova presidente da legenda. A eleição ocorreu durante a convenção nacional da sigla em Brasília. A parlamentar, que era a favorita na disputa, substituirá Rui Falcão. Apoiada pela corrente Construindo um Novo Brasil (CNB) – da qual faz parte o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – Gleisi foi eleita por 367 dos 593 votos. Ela disputou o cargo com o senador Lindbergh Farias (RJ), que recebeu 226 votos, e o militante José de Oliveira, que não recebeu votos.A CNB também foi vitoriosa na eleição entre as chapas, pleito que ocorre separado da eleição do presidente. Com a maioria dos votos, a corrente poderá indicar mais adeptos aos demais cargos da diretoria do partido. Gleisi deverá liderar o partido por um mandato de dois anos. O principal desafio é de conduzir a agenda política do principal partido de oposição no país, que perdeu força após escândalos de corrupção revelados pela operação Lava Jato.A nova presidente da sigla, inclusive, responde a processo no Supremo Tribunal Federal (STF). Ré na Lava Jato, Gleisi é acusada de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por pedir e receber, segundo o Ministério Público, R$ 1 milhão desviados do esquema na Petrobras.
Em projeto de resolução no qual faz um balanço dos 13 anos de governos petistas, o PT minimiza as denúncias de corrupção contra o partido e alguns de seus integrantes e culpa a política econômica adotada no início do segundo mandato de Dilma Rousseff pela crise política que levou ao impeachment da então presidente. Segundo o texto, que servirá de base para as conclusões do 6.º Congresso Nacional do PT, as medidas de austeridade adotadas por Dilma no início de 2015 criaram a sensação de um “estelionato eleitoral” em comparação com o discurso de campanha do ano anterior, quando a petista prometeu não mexer em direitos trabalhistas “nem que a vaca tussa”.”O ajuste fiscal, além de intensificar a tendência recessiva, gerou confusão e desânimo na base social petista: entre trabalhadores, juventude e intelectualidade progressista disseminou-se a sensação, estimulada pelos monopólios de comunicação, de estelionato eleitoral”, diz o texto ainda sujeito a emendas e alterações até sábado, 3, quando termina o encontro.
O PT fechou nesta quarta-feira, dia 31, um projeto de resolução a ser votado no sábado em seu 6º Congresso, que prevê o boicote e a não participação do partido em eventual Colégio Eleitoral, caso deputados e senadores tenham de escolher um substituto para o presidente Michel Temer. A sigla prega eleições diretas para presidente da República e vai insistir nessa bandeira, na tentativa de se reaproximar da sociedade após ser envolvida em escândalos de corrupção. Mesmo assim, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não quer que o congresso do PT – a ser realizado de quinta-feira a sábado em Brasília – lance agora sua candidatura ao Palácio do Planalto.

Ele sabia em 2010 que propina para o PT já somava R$ 200 milhões

Marcelo Odebrecht criou sistema de “contrapartida” para se certificar de que seu principal interlocutor no PT antes de 2011, Antônio Palocci, falava de fato em nome de Lula. Ele pedia ao pai, Emílio, para informar a Lula sobre propinas já pagas ao PT, totalizações e valores que só ablog Diario do Poder tinha.

Em 2010 pediu que o pai informasse a Lula sobre o total ao PT: R$ 200 milhões. Palocci mencionou o valor numa conversa posterior; era a prova de que seu interlocutor falava em nome de Lula. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

Além de Emílio, o ex-executivo Alexandrino Alencar era usado para fazer a “ponte” com Lula, que monitorava o propinoduto. A delação de Marcelo Odebrecht reforçou no Ministério Público Federal que Lula era mesmo o “comandante máximo” ou chefe da quadrilha.

Marcelo pediu a Emílio Odebrecht para informar Lula do balanço: em dois anos, foram R$200 milhões em propina paga ao PT. Lula já sabia dos R$200 milhões quando Palocci “jogou verde” para Marcelo, citando R$300 milhões. Marcelo corrigiu, firme: “Foram 200”.

Fonte: blog Diario do Poder

Por Carlos Chagas

A sucessão presidencial do próximo ano surge como o primeiro efeito colateral do escândalo que assola o país a partir da devassa praticada na Odebrecht. Dos possíveis candidatos, não sobrou nenhum. O Lula, preso ou solto, só por milagre se manterá na disputa. É estranho como essas coisas acontecem, mas há uma semana ele parecia imbatível em todas as simulações e pesquisas. Agora, não há quem aposte um real na sua passagem para o segundo turno. O que era sólido, desmanchou-se no ar. O patriarca da ex-maior empreiteira nacional encarregou-se de fulminar o ex-presidente ao tornar públicas suas relações.

Não adianta procurar nos falidos quadros do PT quem substitua o primeiro companheiro. Muito menos nas bancadas parlamentares. Não ficou pedra sobre pedra.

TRÉS PORQUINHOS – Os três tucanos que pareciam poderosos viraram três porquinhos. Uma cascata de lama escorre da passagem de Aécio, Serra e Geraldo pelos governos dos respectivos  Estados. De propinas ao Caixa Dois e até a doações inexplicáveis e manipulações desavergonhadas, jamais levarão o PSDB à disputa. Nem adianta lembrar de Fernando Henrique, também citado e hoje submerso na ilusão de sua presença na mídia.

O PMDB não tinha e continuará não tendo pretendentes. O fracasso da recuperação econômica só não será maior do que o elenco de reformas felizmente indo atrás da vaca, ou seja, para o brejo. Henrique Meirelles cada dia tenta justificar-se um pouco mais pelo naufrágio de seus planos e programas, forte candidato ao Prêmio Pinóquio do ano.Há uma semana discutia-se a hipótese de Ciro Gomes aceitar tornar-se o vice do Lula, mas hoje o cearense nascido em São Paulo foge da dobradinha como o diabo foge da cruz.

OUTROS NOMES – Marina Silva dedica-se a cooptar juízes, procuradores e ministros dos tribunais superiores, iludida com a impressão de seus votos valerem mais que os votos de uma lavadeira. Jair Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Joaquim Barbosa, Álvaro Dias e outros menos cotados torcem para não ser lembrados ou confundidos com a classe dos políticos. Em suma, fosse o Capeta candidato e estaria na liderança das previsões agora viradas de cabeça para baixo. Resta aguardar as delações das demais empreiteiras.

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