A tornozeleira eletrônica que o empreiteiro Marcelo Odebrecht coloca hoje vai custar ao condenado R$ 149 por mês. Ele saiu nesta manhã da carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, depois de passar dois anos e meio preso. Ele foi condenado a 19 anos e 4 meses de prisão, mas por causa de sua colaboração com a Justiça, cumpre 10 anos por lavagem de dinheiro e associação criminosa no âmbito da Operação Lava Jato. Pelo acordo, os primeiros 2 anos e meio, permaneceria preso em Curitiba. O restante, em casa, com tornozeleira.

O ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht prestou depoimento ao juiz Sergio Moro nesta segunda-feira (4), disse que o ex-presidente Lula foi beneficiário de pagamentos em espécie da empreiteira e afirmou que o petista sabia da existência de uma planilha com uma “conta” que a empresa possuía com o PT.

Marcelo Odebrecht foi ouvido em ação penal sobre o suposto favorecimento ao ex-presidente pela empreiteira com a compra de um terreno para o Instituto Lula, em São Paulo, e de um apartamento vizinho ao que mora, em São Bernardo do Campo (SP). Esse é o segundo processo do ex-presidente sob responsabilidade de Moro.

Em mais de três horas de depoimento, ele falou sobre a relação da empreiteira com os governos do PT e disse que um dos motivos para os pagamentos a Lula era manter a influência sobre Dilma Rousseff, considerada uma “incógnita” pela empresa quando assumiu o governo, em 2011.

Fonte: Folha de São Paulo.

Por Bela Megale / Folha

Há alguns dias, o ex-ministro petista Antonio Palocci entrou na cela de Marcelo Odebrecht, na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, falando em italiano. Minutos depois, os dois riram. Assim como a dupla, os companheiros que estavam ao lado caíram na gargalhada, segundo relatos obtidos pela Folha. A brincadeira, que se tornou comum entre os dois presos da Lava Jato, é uma referência ao codinome “italiano” dado ao petista na Odebrecht em operações que envolviam repasses de propina e caixa dois.

Não é raro Palocci se dirigir ao herdeiro da Odebrecht, usando palavras do idioma e dizendo, em tom de brincadeira, que não é o italiano. Os dois convivem desde setembro, quando Palocci foi preso. Naquela época, Marcelo estava detido havia um ano e três meses.

ERAM SEPARADOS – No início, foram mantidos em alas separadas e tinham horários de banho de sol distintos. Se esbarravam raramente, quando iam falar com advogados no parlatório. O motivo da separação, segundo integrantes da PF, era o acordo de delação que o empreiteiro negociava com procuradores, e que foi homologado em janeiro deste ano.

Semanas depois, com o acordo encaminhado, o contato passou a ser mais frequente e os dois foram colocados na mesma ala. Desde então, têm rotina em comum que inclui divisão de tarefas “domésticas”, como limpeza da cela e do banheiro, além de fazerem refeições juntos.

Marcelo, segundo a Folha apurou, passou dar conselhos ao ex-ministro sobre a linha de defesa que deveria adotar, sendo cada vez mais enfático que a sua única saída seria o acordo de delação. Quando Palocci se mostrou aberto à possibilidade, Marcelo teria sugerido que tentasse colocar a PF na negociação.

DEU CERTO – O petista não só passou a negociar a delação como teve a primeira reunião com procuradores sentado à mesa juntamente com um delegado da PF, há pouco mais de um mês.Três pessoas que frequentam a carceragem de Curitiba relataram que viram o empreiteiro se dirigir a advogados do petista e afirmar que estavam prejudicando o cliente quando perguntavam a testemunhas da Odebrecht, diante do juiz Sergio Moro, se Palocci era o “italiano”.

Em 20 de abril, o ex-ministro petista enfim disse a Moro que estava disposto a falar nomes e operações que interessariam à Lava Jato.

Por Catarina Alencastro / O Globo

A proximidade entre o ex-presidente Lula e o patriarca do grupo Odebrecht, Emílio Odebrecht, foi tema de uma “DR” entre pai e o filho, o ex-presidente do grupo Marcelo Odebrecht. Enquanto Emílio relatou ter alinhamento e simpatia pelo petista, Marcelo disse ter relação “complicada” com o ex-presidente. Em um dos depoimentos dados no âmbito de sua delação premiada, Marcelo conta que os pedidos de Lula eram normalmente feitos por meio de seu pai ou de Alexandrino Alencar, ex-executivo da empresa que ajudava Emílio no contato com o ex-presidente. Mas disse que, por vezes, discordava da demanda do petista, e, quando isso acontecia, Lula procurava Emílio para deliberar sobre o caso. Irritado com a postura do petista, Marcelo escreveu um bilhete para o pai, reclamando.

“Eu tinha uma relação meio complicada com Lula porque muitas vezes eu discordava das coisas. Exemplo típico foi Belo Monte, Arena Corinthians, que foram dois projetos que eu fui contra, e aí Lula acabava recorrendo ao meu pai como última instância. Isso gerou inclusive uma nota que eu fiz ao meu pai, dizendo: “Pai, você precisa conversar com Lula, porque se ele continuar recorrendo a você não adianta nada”. Mas no final a relação de Lula acabou sempre sendo com ele (Emílio)”, disse Marcelo.

SÍTIO DE ATIBAIA – Em tom de crítica, Marcelo menciona o pedido que a ex-primeira-dama Marisa Letícia teria feito à Odebrecht, por meio de Alexandrino Alencar, para que a empreiteira terminasse uma reforma que estava sendo feita no sítio de Atibaia. O caso consta da delação de Emílio ao Ministério Público. Segundo Marcelo, Emílio recebia as demandas de Lula, ligava para o chefe de algum setor da Odebrecht, denominado internamente de líder empresarial (LE), e o pedido tinha que ser atendido.

“O meu pai achava alguém dentro de casa para pagar a conta. Da mesma forma que quem pagou a conta do sítio acho que foi a área de infraestrutura. Ele ligava pra algum LE (líder empresarial) e algum LE pagava a conta” — relatou.

SEDE DO INSTITUTO – Em outro depoimento, esse incômodo de Marcelo com Lula reaparece. Quando o empreiteiro relata o pedido de interlocutores do ex-presidente para que a empresa comprasse um terreno para instalar uma nova sede do Instituto Lula, Marcelo conta que procurou o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci, que comandava a relação financeira entre PT e Odebrecht. Queria saber se era, mesmo, para comprar o imóvel. E Palocci o teria orientado a comprar, sim, para não alimentar a fama que tinha de “dificultar” o andamento dos pedidos.

“Palocci me orientou a aceitar, dizendo que se eu recusasse iam dizer que mais uma vez eu estava dificultando para atender um pedido de Lula” — relatou Marcelo Odebrecht.

25
mar

SEMPRE SOUBERAM DE TUDO

Postado às 16:31 Hs

O que falta para o País finalmente perceber que Lula e Dilma, juntos, como irmãos siameses, arquitetaram, coordenaram e estiveram à frente de toda sorte de desvios ilegais de recursos que marcaram os governos petistas nos últimos 13 anos? Em recente depoimento ao ministro Herman Benjamin, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o empreiteiro Marcelo Odebrecht começou a jogar luz sobre o modo de operar da dupla petista cujo esquema desviou mais de R$ 40 bilhões dos cofres da Petrobras. O relato de Odebrecht liquida de uma vez por todas a “reputação ilibada” reivindicada por Dilma em seus já célebres discursos borrifados de pretensa superioridade moral.

 Segundo o empresário, que arrasta os dois petistas para a cena do crime eleitoral, a ex-presidente, assim como Lula, sempre soube dos esquemas de propina e de caixa dois em suas campanhas, foi alertada em encontro pessoal com Marcelo Odebrecht sobre a “contaminação” das doações, incluindo a remuneração ao marqueteiro João Santana no caixa parelelo e tinha a exata ciência de que Antonio Palocci (o Italiano) e o ex-ministro Guido Mantega (Pós-Itália) cumpriam jornada dupla como ministros e arrecadadores. Não por acaso, “quatro quintos” das doações via caixa dois envolveram, conforme Odebrecht, as campanhas de Dilma. Mantega foi categórico ao dizer a Marcelo Odebrecht, segundo revelação do mesmo, que a orientação da ex-presidente petista era no sentido de que “todos os recursos” da Odebrecht fossem remetidos à campanha dela. “Você não vai mais doar para o PT, você só vai doar para a campanha dela”, disse-lhe Mantega, instruído por Dilma.

 DILMA TINHA CIÊNCIA DO CAIXA 2

Odebrecht disse que a petista tinha conhecimento da dimensão das doações à campanha e dos pagamentos de caixa 2 ao publicitário João Santana

CONTAMINAÇÃO PELA PROPINA

O empreiteiro alertou Dilma de que o dinheiro estava contaminado por propina e que Mantega lhe pediu para doar tudo para a campanha dela e não para o PT

PALOCCI FALAVA POR LULA

Odebrecht disse que tudo o que tratava com Palocci em matéria de liberação de recursos era combinado com Lula. Dilma deu o “ok”

A íntegra do depoimento, ao qual ISTOÉ também teve acesso, foi antecipada na última semana pelo site “O Antagonista”. As versões apresentadas até agora candidamente por Dilma, como se estivesse alheia do maior esquema de corrupção da história recente do País, não param mais em pé. Foram desmoronadas como um castelo de cartas por quem “inventou” a sua própria reeleição, o príncipe das empreiteiras. Foi Marcelo Odebrecht quem arquitetou toda a engenharia financeira da campanha. “Dilma sabia da dimensão da nossa doação. Que éramos nós quem fazíamos grande parte do pagamento via caixa dois para João Santana. Ela sabia que toda aquela dimensão de pagamentos não estava na prestação do partido”, asseverou Odebrecht.

Os repasses de dinheiro sujo, que já assustam pela dimensão alcançada e valores exorbitantes, não se limitaram a irrigar o PT e as campanhas dilmistas, por intermédio de Palocci e Mantega. A dinheirama contemplou partidos ligados à chapa de Dilma nas eleições de 2014. No depoimento prestado no dia 6 de março ao ministro Herman Benjamin, o ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht Alexandrino Alencar afirmou que operacionalizou a entrega em espécie de R$ 21 milhões de caixa dois para três partidos aliados, entre eles o PRB, o Pros e o PC do B. Segundo afirmou, cada legenda recebeu um aporte de R$ 7 milhões. No depoimento, Alexandrino disse ter entregue pessoalmente R$ 4 milhões só ao PDT.

O inteiro teor da colaboração judicial dos 77 executivos da Odebrecht deve vir à tona nos próximos dias. Ainda aguarda uma canetada do ministro-relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin. Só o relato do empreiteiro ao TSE, no entanto, já foi capaz de reduzir tanto Dilma como Lula aos seus tamanhos originais – bem diferentes daqueles que se apresentavam quando turbinados pelo marketing e pela narrativa petista. Por intermédio de lentes sem retoques, aparentam pequenez inata.

Transcrito da Revista Isto É

Por Aguirre Talento / Época

Contrariando a Polícia Federal, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, solicitou que a investigação sobre obstrução da Lava Jato pelos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff prossiga no Supremo Tribunal Federal. Janot protocolou na quinta-feira (23) sua manifestação junto ao ministro Edson Fachin, relator da operação. O inquérito apura, dentre outros fatos, se a nomeação de Lula como ministro da Casa Civil pela então presidente Dilma foi um artifício para lhe conferir foro privilegiado e tumultuar a Lava Jato, escapando da jurisdição do juiz Sergio Moro.

O caso corre no Supremo porque também inclui duas autoridades com foro privilegiado: a PGR investiga ainda se Dilma nomeou o ministro do STJ Marcelo Navarro, sob articulação do então presidente do STJ Francisco Falcão e do ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, sob o compromisso de obter a soltura de empresários presos na Lava Jato, entre eles Marcelo Odebrecht. Um terceiro fato investigado no inquérito é uma oferta de ajuda do então ministro da Educação, Aloizio Mercadante, para evitar a delação do ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS).

OBSTRUÇÃO À LAVA JATO – No mês passado, relatório da Polícia Federal assinado pelo delegado Marlon Cajado recomendou o desmembramento, para a primeira instância, da investigação sobre a nomeação de Lula por Dilma. O delegado apontou em sua peça que Lula e Dilma agiram para obstruir a Lava Jato. Na primeira instância, a investigação e o processo penal costumam andar mais rápido, o que seria uma derrota para os ex-presidentes petistas.

Janot, que é a autoridade responsável por conduzir a investigação, discordou do delegado e solicitou ao STF que o inquérito não seja desmembrado. Em geral, durante a fase de inquérito, os ministros do Supremo costumam seguir os posicionamentos do Ministério Público.

TEORI ERA CONTRA – O procurador-geral apontou que o antigo relator, Teori Zavascki, já havia se posicionado contra o desmembramento e que, por isso, as investigações devem continuar sendo aprofundados no Supremo, com novas tomadas de depoimentos e diligências. Seu posicionamento é uma derrota para a Polícia Federal, que havia atraído para si os holofotes com o relatório do delegado Marlon Cajado.

Esse caso é o único inquérito contra Dilma existente até o momento na Lava Jato. Lula já é réu em uma ação penal também sob acusação de atrapalhar a Lava Jato, neste caso sob suspeita de comandar a compra do silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

Os investigados têm negado as suspeitas e afirmado que não atuaram para obstruir as investigações. A defesa de Dilma afirmou considerar a manifestação de Janot “equilibrada e correta”. A reportagem não conseguiu contato com as defesas dos demais investigados.

24
mar

MARCELO ODEBRECHT DESMORALIZA DILMA E LULA

Postado às 10:47 Hs

Dilma sabia que Odebrecht usava caixa 2 em campanha, diz Marcelo. O ex-presidente da Construtora Odebrecht, Marcelo Odebrecht, disse que a então presidente Dilma Rousseff sabia que a empresa fazia pagamentos via caixa dois para a campanha de reeleição dela. O depoimento de Marcelo ao Tribunal Superior Eleitoral no processo que pede a cassação da chapa Dilma-Temer foi publicado nesta sexta-feira (23) na internet pelo site “O Antagonista’. Marcelo Odebrecht foi ouvido na ação que acusa a chapa Dilma-Temer de abuso de poder político e econômico. Entre as irregularidades apontadas, dinheiro desviado da Petrobras que abasteceu as contas da campanha em 2014. Trechos do depoimento de Marcelo Odebrecht foram publicados no site “O Antagonista”. A TV Globo confirmou a autenticidade dos documentos. O empresário foi perguntado sobre a relação da Odebrecht com a campanha eleitoral que reelegeu Dilma Rousseff.

Tá em O Globo

Marcelo Odebrecht, em seus depoimentos de delação premiada que acontecem em Curitiba, confirmou a realização de pagamentos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, inclusive em espécie. As informações são do jornal “Valor Econômico”. Em nota, a defesa de Lula disse que não comenta “especulação de delação”. Segundo apurou o “Valor”, os pagamentos, de acordo com o ex-presidente da Odebrecht, tiveram origem no Setor de Operações Estruturadas da empresa, dedicado ao pagamento de propina a agentes públicos. O uso do setor para tal fim foi revelado no início deste ano pela ex-secretária de Marcelo, Maria Lúcia Guimarães Tavares, que fez acordo de delação.

O que foi relatado por Marcelo, segundo o “Valor”, é coerente à linha de investigação da Polícia Federal no âmbito da Lava-Jato. Segundo as investigações, Lula pode ter recebido até R$ 23 milhões. Investigações apontam ainda que o codinome “amigo”, que está nas planilhas apreendidas do Setor de Operações Estruturadas, seja uma referência a Lula.

 

DEPOIMENTOS DIÁRIOS – Marcelo Odebrecht prestou nesta quinta-feira seu quarto depoimento à Força-Tarefa em Curitiba, cidade onde está preso desde junho de 2015. Ele tem falado aos procuradores da Lava-Jato na presença de seus advogados.

De acordo com reportagem do jornal “Folha de S. Paulo, o ex-presidente da Odebrecht também confirmou que o presidente Michel Temer pediu R$ 10 milhões para a campanha do PMDB durante reunião no Palácio do Jaburu, em 2014. No depoimento, Marcelo Odebrecht não deu detalhes sobre o pagamento.

Em delação premiada que ainda depende de homologação do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho disse que entregou dinheiro em espécie no escritório do advogado José Yunes, amigo e assessor especial do presidente Temer, durante a campanha eleitoral de 2014. O pagamento faria parte de um repasse de R$ 10 milhões que, segundo narrou Claudio Melo na delação, Temer negociara “direta e pessoalmente” com Marcelo Odebrecht, em um jantar no Palácio do Jaburu, em maio de 2014, dois meses depois do início da Lava-Jato.

Está fechado o acordo entre Marcelo Odebrecht e os procuradores da Operação Lava-Jato para que o empreiteiro possa fazer sua delação premiada, informou ao Globo uma pessoa vinculada às investigações. Também já foram fechados os acordos de delação de mais de 50 executivos e funcionários da maior empreiteira do país. Outros acordos ainda estão pendentes de acertos finais entre investigadores e investigados. Após oito meses de negociações, será a maior série de acordos de delação já firmada no país. Segundo uma fonte, os acordos, incluindo o do o ex-presidente da Odebrecht, estão um tom abaixo da expectativa dos procuradores, mas ainda assim, são abrangentes. Para pessoas com acesso à investigação, as acusações atingem “de forma democrática” líderes de todos os grandes partidos que estão no governo ou na oposição. No caixa dois da Odebrecht não havia distinção partidária ou ideológica, diz essa fonte. A regra era exercer o pragmatismo na guerra pelos melhores contratos com a administração pública.

A Odebrecht e o Ministério Público Federal assinaram na quarta passada o documento que formaliza a negociação de delação premiada e de leniência da empreiteira no âmbito da Operação Lava Jato. As conversas já vinham ocorrendo há alguns meses, mas a partir de agora são oficiais. A informação é de Mônica Bergamo, na sua coluna desta terça-feira na folha de S.Paulo.

A colunista detalha mais:

Integrantes do Ministério Público pretendem, com a formalização, convocar até mesmo Emílio Odebrecht, ex-presidente da empresa e pai de Marcelo Odebrecht, que está preso, para dar informações. A empreiteira se comprometeu oficialmente a detalhar o financiamento de todas as campanhas majoritárias de anos recentes com as quais colaborou –como as de Dilma Rousseff a presidente da República e Michel Temer vice e a de Aécio Neves a presidente, em 2014. Ou seja, nenhum dos grandes partidos (PT, PSDB e PMDB) deve ser poupado.

Apesar dos rumores insistentes de que Marcelo Odebrecht pode envolver diretamente Dilma, que teria pedido a ele recursos para a campanha de 2014 num encontro no Palácio da Alvorada, o tema não foi ainda abordado oficialmente com o Ministério Público Federal. Os procuradores negociaram para ter acesso a toda a contabilidade de caixa dois da empresa, o que pode envolver centenas de políticos e até mesmo autoridades de outros poderes. Para se ter uma ideia do alcance dos dados que devem ser fornecidos, só numa das operações de busca e apreensão feitas na empreiteira foi encontrada uma lista com o nome de mais de 300 políticos. O termo assinado pela Odebrecht e pelos procuradores não define o número exato dos executivos que devem delatar. Mas ele pode chegar a 50.

Via: Jornal da Cidade Online

O ex-presidente da Odebrecht, derrotado em todos os recursos que ingressou contra os vários mandados de prisão que tem contra si – uma demonstração inequívoca de que o juiz Sérgio Moro não é apenas um homem corajoso, mas um profundo conhecedor do direito – há cerca de 15 dias resolveu escancarar o jogo na Operação Lava Jato e já está prestando depoimento dizendo tudo o que sabe, atingindo frontalmente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A delação de Odebrecht está esclarecendo por exemplo a questão das milionárias palestras de Lula. Tudo não passou de um engenhoso mecanismo para o repasse de propina.

Os famosos casos do sítio em Atibaia e do Triplex no Guarujá também estão sendo detalhadamente esmiuçados por Marcelo Odebrecht. Com a delação, o empresário pretende a redução de sua pena e, consequentemente, se livrar da prisão em regime fechado.

Os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato decidiram endurecer com Marcelo Odebrecht. Eles receberam nesta semana a visita de representantes do empreiteiro, que está preso há mais de seis meses e estuda aderir à delação premiada. Demonstraram que a negociação para um acordo será dura. Procuradores tentaram mostrar que já têm fartas provas contra o empresário, além da vantagem, na negociação, de Odebrecht já estar inclusive condenado em um dos processos.

A delação premiada da secretária da Odebrecht Maria Lúcia Tavares é outro trunfo da força-tarefa. Ela é apontada como a pessoa que fez pagamentos de propinas e de caixa dois para a empreiteira por vários anos. Com as informações dadas por Maria Lúcia, tidas como “bombásticas”, os procuradores poderiam avançar nas investigações sem a ajuda do dono da empresa. A possibilidade de Mônica Moura, mulher de João Santana, marqueteiro do PT e de Dilma Rousseff, fechar delação premiada também daria força aos investigadores.

Apesar da pressão, os procuradores entendem que Marcelo Odebrecht é um dos maiores arquivos vivos do país e detentor de informações que poderiam levar a Lava Jato a um patamar até hoje não atingido. Odebrecht há tempos estuda aderir à delação premiada. Uma das estratégias discutidas na empresa é a de que ele seja cirúrgico, delatando poucos, mas relevantes, personagens da política brasileira. Contribuições eleitorais feitas para a campanha de Dilma Rousseff e de Michel Temer devem ser detalhadas.

Com Marcelo Odebrecht se preservando o máximo possível, caberia a outros executivos da empreiteira, também presos, abastecer a Operação Lava Jato com fartas informações.

Fonte: Mônica Bergamo / Folha de S.Paulo

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